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Exigência de produção nacional atrai fábrica da ZTE

      2010-09-13  

 

Carlos Eduardo Valim, de Xangai
cvalim@brasileconomico.com.br

 

A preferência anunciada pelo governo brasileiro por fornecedores locais para participar do Plano Nacional de Banda Larga deve trazer a chinesa ZTE para produzir equipamentos de infraestrutura de internet no país. Combinada com os incentivos fiscais e o corte dos custos logísticos para importar os produtos da China, a estratégia governamental pode compensar para a ZTE, mesmo se for levada em conta a mão de obra mais barata na China.

O vice-presidente executivo e principal homem de finanças da ZTE, Wei Zaisheng, defende que, mesmo com custos de produção superiores no Brasil, a empresa pode ser beneficiada nos preços finais frente aos concorrentes, por ter a maior parte de sua pesquisa e desenvolvimento sendo feitos, de forma mais econômica, na China. Porém, a decisão se a empresa pode entrar no mercado de banda larga depende da aprovação governamental e do conselho da empresa. Entre as localidades estudadas, a preferência é pelo estado de São Paulo. A chinesa já tem produção local de modens para acesso a internet por meio da fabricante Flextronics, na região de Campinas (SP).

O projeto prevê a aquisição de um terreno de 100 mil metros quadrados, conta o vice-presidente da ZTE, Fan Xiaobing, além da montagem de um centro de pesquisa e desenvolvimento, de treinamento e logística. O investimento total dependerá da demanda do mercado e de estudos realizados pela subsidiária, mas, segundo Zaisheng, uma fábrica dessas consome, ao menos, US$ 100 milhões. Manter uma operação no país promoveria um diferencial competitivo relevante contra os principais competidores globais, em especial, aqueles resultantes das fusões entre empresas européias e americanas que dominavam o setor até a metade da década. Também representaria uma vitória para o governo brasileiro na sua estratégia de incentivar a indústria local para fornecer os equipamentos ao Plano Nacional de Banda Larga.

Atualmente os equipamentos de rede da ZTE são importados de Shenzhen, hoje um dos principais centros de produção de eletrônicos no mundo. É nesta cidade da província de Guangdong (Cantão), a mais rica do país e que faz fronteira com Hong Kong, onde são produzidos, por meio de empresas terceirizadas, diversos itens de vendas do mundo da alta tecnologia, como o iPhone e o iPad, da Apple.

O interesse da chinesa pelo Brasil é justificado pelo fato de o país concentrar o maior crescimento de receita. A ZTE chegou aqui em 2001, e ao começar a ganhar presença local, em 2006, alcançou faturamento de US$ 20 milhões. Em 2009, foram US$ 300 milhões e para este ano a meta mínima é de US$ 450 milhões, embora exista expectativa de dobrar de novo a receita para US$ 600 milhões. Xiaobing estima que entre 20% e 30% do resultado local de 2009 veio do negócio de infraestrutura de banda larga fixa. No mundo, a ZTE movimentou US$ 1,02 bilhão em 2009 em equipamentos para banda larga, sendo que 50% disso vem da China. A receita total atinge US$8,8 bilhões.

Em 2005, a ZTE figurava como a li8 maior empresa do mundo em vendas para banda larga fixa. Hoje ocupa a terceira posição, com 7% de participação de mercado atrás da também chinesa Huawei (23,5%) e da francoamericana Alcatel-Lucent (19%), e já tendo superado a germanofinlandesa Nokia Siemens. Cerca de 250 operadoras de banda larga, em 140 países do mundo, utilizam tecnologia da chinesa. *Viajou a convite da ZTE

Em 15 anos, 50% da receita vem qo exterior

Um passo fundamental para que a metade do faturamento viesse de fora da China foi abertura de capital na bolsa de valores de Hong Kong, em detrimento do mercado de capitais chinês, baseado em Xangai. "Ainda éramos conhecidas como uma empresa chinesa, não global", afirma o vice-presidente executivo, Wei Zaisheng. "Em Hong Kong, iríamos conseguir menos dinheiro, porque lá a avaliação do mercado era menor do que na China, mas poderíamos mudar a nossa imagem. Já éramos a maior na China e precisávamos do mercado internacional para continuar crescendo, que movimenta entre USS 300 bilhões e US$ 400 bilhões anualmente", diz o executivo. Em 2005, apenas 1% dos negócios vinha de fora da Ásia e da África. A China representava 65%, o restante do continente, 21%, e a África respond a por 13%. Três anos depois, a receita externa passou a representar (>0%, com 18% vindo das Américas« Europa. Em 2009, houve uma quoda para 49,5% do faturamento fc ra da China, devido a fortes investi nentos do mercado local na implementação da terceira geração (ver artigo ao lado). A chegada da quarta geração da telefonia móvel, que exigirá a renovação das infraestruturas por parte das operadoras em todo o mundo, é vista como um momento de grande potencial para continuar acelerando a irternacionalização, não só da ZTE como também de sua rival chinesa Huawei. C.E.V.

Expansão é barrada por comunismo

A ZTE anuciou receita operacional 11%maior no primeiro semestre do ano, em comparação com o ano passado, atingindo US$ 4,5 bilhões. O lucro líquido subiu 12%, para US$ 129 milhões. O crescimento, no entanto, apresentou desaceleração em comparação com o auge da crise. No último ano, a empresa alcançou expansão de 36%, mesmo com diversos mercados passando por restrições de investimentos, que devem se estender para este ano.

Essas restrições foram motivadas por duas razões, de acordo com o vice-presidente executivo e principal homem de finanças, Wei Zaisheng. O governo chinês realizou os investimentos de terceira geração da telefonia móvel no último ano o que fez explodirem os negócios locais no período. Porém, sem este cenário, será mais difícil a expansão deste ano.

A segunda questão envolve problemas na índia. O país, que é responsável por quase 10% dos negócios da empresa, vem colocando obstáculos à entrada da ZTE na iniciativa de expansão da banda larga, alegando preocupações com a segurança nacional. O governo questionou se a infraestrutura fornecida por uma chinesa poderia ser usada pelo país comunista para ataques virtuais e roubo de informações.

Segundo Zaisheng, a notícia de que o Google teve sua rede invadida por representantes do governo chinês dificultou os negócios em países como os Estados Unidos e outros rivais da nação mais populosa do mundo. A desconfiança nos negócios que envolvem companhias chinesas não param por aí. Segundo o executivo-chefe de marcas para infraestrutura de telefonia móvel e ex-presidente da ZTE Brasil, Richard Lihe Ye, empresas chinesas encontram obstáculos para aquisições. A Huawei teve a sua proposta de compra de parte da 3Com barrada pelo órgão regulador americano, por não ter a sua estrutura de acionistas esclarecida e por ter laços com o seu governo. A 3Com acabou na mãos da HP. C.E.V.



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